Consumir peixe panga é seguro?

Essa é a pergunta que eu mais ouço das pessoas quando o assunto é consumir mais peixe. Essa incerteza existe pois há alguns anos surgiram boatos na internet alegando que o peixe panga era impróprio para o consumo, com bactérias, contaminantes e metais pesados. Para escrever esse post eu fiz uma grande busca e falei com especialistas da área para trazer as informações mais recentes e confiáveis sobre a segurança no consumo do panga, ou pangasius como é conhecido por alguns. Durante minha pesquisa encontrei os materiais que circularam e, quem não sabe mais a fundo sobre o assunto realmente pode ficar com receio. Mas vamos lá.

O panga (ou também conhecido como peixe-gato) é originário do Rio Mekong no Vietnã. O Brasil, assim como outros países importa o filé desse peixe que tem textura firme, cor branca, sabor suave, ausência de espinhas e permite vários tipos de preparo: grelhado, frito, assado e ensopado – falando assim parece até o “peixe ideal”, né? E na verdade, por ter um preço acessível, mesmo sendo importado, acabou ganhando os consumidores brasileiros que provaram o produto por ter um bom custo-benefício. Eu mesma provei e gostei bastante. 

Não consumo muito dele apesar de toda essa versatilidade pois, infelizmente algumas vezes que recomprei o produto, o mal congelamento causou perda da qualidade do filé, particularmente gosto sempre de variar e, além disso, eu dou preferência a peixes produzidos no Brasil ><((((º>. Mas há marcas muito boas de filé de panga no mercado. Aliás, essa é uma dica. Comece a atentar para a qualidade dos diferentes peixes que você compra. Aos poucos você perceberá nitidamente a diferença da qualidade entre as marcas e, terá algumas que você vai gostar e confiar mais do que outras.

Algumas empresas que comercializam essa espécie de peixe informaram que logo que saíram esses boatos sobre as condições impróprias no cultivo do panga e, consequentemente, risco para a saúde humana, sentiram um decrécimo nas vendas. Esses comentários surgiram, ao que tudo indica, devido ao panga ser um peixe onívoro (assim como outras espécies – pacu, tambaqui, piraputanga) ele se alimenta “de tudo”, ou seja, detritos orgânicos como animais mortos podem ser ingeridos pelo peixe se estiverem disponíveis. 

Porém, no Vietnã, o peixe panga não é produzido apenas no rio Mekong. Ele também é bastante cultivado em tanques escavados, alimentado com ração controlada e, por isso, o seu consumo não traz risco à saúde. O Vietnã exporta o Panga há muitos anos para os Estados Unidos, todos os países da União Européia, Japão, Rússia, Austrália entre outros, somando mais de 240 nações. Só este fato bastaria para atestar sua qualidade e segurança para o consumidor, uma vez que todos os países têm legislações e controles que precisam ser cumpridas para permitir a entrada e comercialização do produto.

Ainda assim, o Ministério da Agricultura do Brasil realizou uma série de análises nesta espécie, com o objetivo de confirmar a qualidade do produto. Todas as amostras coletadas pelos órgãos públicos foram enviadas para laboratórios oficiais de análise, onde todos os parâmetros analisados se confirmaram dentro dos padrões pré-estabelecidos, ou seja, nenhum problema foi encontrado. 

Abaixo um trecho de uma nota técnica emitida em 04 de abril de 2014 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal - Divisão de Inspeção de Pescado e Derivados

“Assunto: Informações sobre a importação do peixe Pangasius do Vietnã. 

Após uma avaliação das informações prestadas pelo Vietnã sobre o funcionamento da Inspeção de pescados implementada pela sua Autoridade Sanitária no sentido de garantir a qualidade e inocuidade de seu produtos, e tendo em vista denúncias veiculadas pela internet sobre suspeitas relacionadas à segurança do consumo do peixe da espécie Pangasius produzido pelo Vietnã, foi realizada uma missão sanitária ao país em 2009 para verificar se o seu sistema de inspeção poderia ser considerado equivalente ao brasileiro.

Durante a auditoria pode-se perceber que o país demonstrou muita seriedade nos seus controles e que as empresas realizavam o monitoramento dos perigos relacionados com a segurança dos produtos por elas elaborados, sob a verificação de sua autoridade sanitária oficial, comprovada com documentos e evidências de auditoria, e que monitoram de perto os processos de cultivo e elaboração dos produtos da pesca, possuindo laboratórios atuantes e estruturados para este controle”.

Além do Ministério da Agricultura, a PROTESTE analisou microbiologicamente diferentes marcas de peixe panga comercializados nos supermercados do Rio de Janeiro e São Paulo no ano 2012 e, não foram encontrados problemas de higiene e de contaminantes químicos que comprometessem a qualidade e segurança do produto. 

Uma das empresas brasileiras consultadas informou que seus fornecedores utilizam ração própria, têm rastreabilidade de seus produtos e certificações como ISO 9001:2000, BRC (2005), IFS (Ver.4), HACCP e ISO 14001:2004. Ao meu ver, além dessas certificações, uma outra certificação que garanta a produção ambientalmente e socialmente responsável poderia ser uma boa solução para tirar esse receio e dúvidas do consumidor na gôndola dos supermercados. Na verdade um produtor do Vietnã adotou essa certificação recentemente. Resta saber se esse produto será enviado ao Brasil ou apenas a países em que o consumidor realmente exige a procedência e responsabilidade sócio-ambiental dos produtos que consomem. Será que não cabe a nós brasileiros começarmos a exigir esse tipo de garantia também?

A percepção que eu tive ao levantar essas informações junto às empresas brasileiras foi de que elas estão cientes do receio do consumidor brasileiro e estão, por isso, atentas e preocupadas à questão da segurança desse alimento. O Ministério da Agricultura também está cumprindo o seu papel de fazer as auditorias, cobrar as respostas e melhorias dos fornecedores e, tomando atitudes quanto à importação desta e outras espécies quando identificam problemas. Bom, não posso colocar a mão no fogo por nenhuma empresa mas, uma vez que são registradas no Ministério da Agricultura, possuem marcas fortes e profissionais qualificados, quero crer que elas estejam cumprindo o seu papel ético. Se você desconfiar ou não quiser arriscar, também está no seu direito.

O que eu defendo é que comamos mais peixe e busquemos cada dia mais por pescados de qualidade e responsabilidade sócio-ambiental, garantindo assim a segurança dos produtos e a sustentabilidade das cadeias produtivas.

Espero que esse conteúdo tenha sido educativo e esclarecido as suas dúvidas sobre o peixe panga. Fique à vontade para entrar em contato, deixar o seu comentário aqui embaixo e repassar essas informações aos seus conhecidos.

Texto escrito por Débora Planello.

Fontes: Canal do piscicultor, Proteste.org.br, Bom Peixe, Leardini, Costa Sul, MAPA, Seafood Brasil.

Peixe Panga
Filé de Peixe Panga

Comentários

  1. Ótima matéria!! É o que sempre digo... é importante que tenhamos cautela com td que ouvimos por ai... Notícias mto extremistas devem ser avaliadas com mais rigor. Particularmente eu não aprecio essa espécie, não me agrada o seu sabor, sem contar que as marcas que comprei vieram com problema no glazing... o que me desanimou ainda mais de comprar esse produto. Tb sei das dificuldades e falhas da nossa fiscalização, mas não creio que seria permitido entrar no Brasil um produto que colocaria em risco a saúde dos consumidores. Qdo começamos a importar esse produto a venda das espécies produzidas por aqui teve uma queda... por isso é importante verificar se toda essa difamação do coitado do Panga não foi apenas uma jogada de marketing dos concorrentes... pois sempre recebi mensagens falando do perigo de se consumir esse produto por email... nunca vi um artigo científico publicado em revista conceituada que falasse a respeito. #ficaadica

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  2. Muito bom ter esse tipo de informação, vi no seu site e também no http://peixepanga.com/ agora estou informado. Abraços.

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  3. Peixe Panga, muito saboroso e realmente é um excelente pescado eu aprovado e comprovo.

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  4. Consumi pela primeira vez, esta semana, adorei. Nunca tinha ouvido falar, porisso pesquisei e encontrei o seu post. Aliás, parabéns, muito esclarecedor!
    Mas, também acredito que seja mais uma jogada de marketing da concorrência, pois é de baixo custo! E certamente poria a produção nacional em risco.
    Grata por compartilhar os seus conhecimentos.

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  5. Onde tem fumaça tem fogo!! Se aqui no Brasil levantou-se a possibilidade de falta de qualidade é porque o problema ja eh bem maior!!! Deve vir o lixo do lixo do vietna pra ca!!! NAo como esse peixe nem a pau!!!!

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  6. O rio Mekong é um dos mais poluídos do mundo e alguns desses criadouros são bem próximos do rio.
    Ter centenas de certificados para entrar no 1º mundo é sim uma garantia, mas o que garante que os produtores de lá não façam o mesmo que os daqui fazem?
    Ou seja, enviam o melhor para lá, que paga melhor, e o que sobra, ou seja, o que não entra no 1º mundo e manda pra cá?

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  7. Sinceramente não troco um filé de tilapia por outro peixe no dia a dia....um peixe que chega no Brasil num preço tão baixo, não imagino o custo de produção para que renda algum lucro.

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    1. Eu tambem gosto de tilápias. Principalmente porque eu mesma pesco. Confio mais.

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  8. Não existem milagres no Comércio internacional. Se vendem mais barato para o Brasil é porque os custos de produção também não são elevados. Já sabemos do breve histórico de países asiáticos com relação a produção de eletrônicos, dentre outros produtos. Não me faz crer que com o pescado seja muito diferente. Algo errado existe. Mão de obra escrava, rações inadequadas para engorda, condições de higiene inadequadas no manejo. Poderia citar diversas questões a se pensar sobre o assunto.

    A verdade, é que o produto fabricado no Brasil, deve sim ser incentivado por políticas públicas, a fim de abastecer com qualidade de preços razoáveis, os mercados brasileiros. Os índices de importação de qualquer que seja o produto, jamais devem ou poderiam ser maiores do que os de exportação do país, a menos que não tenhamos condições de produzir com qualidade. O Brasil possui uma extensão de rios LIMPOS das maiores do pLaneta, que se trabalhados adequadamente para o cultivo de espécies de pescado custivadas, nos ofereceria retornos consideráveis, quanto a entrada divisas no país. Se somos um dos maiores produtores / exportadores mundiais de carne de frango e bovina do mundo, porquê não tentar alcançar patamares mais elevados com o pescado cultivado?

    Entendendo melhor o panorama de cultivo das espécies possíveis, esta ideia poderá gerar bons frutos futuramente.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Vc está certo. Operação fugu da PF...

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  9. O que acho engraçado é que no litoral santista este filé é vendido como filé de linguado, que esta sim é uma espécie segura para comer, pois vive em aguas fundas. Depois de muito tempo consumindo panga como linguado indaguei o vendedor, que respondeu que era file de panga, "um tipo de linguado amarelo". É no minimo estranho...

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  10. Ele é um peixe muito saboroso. Por favor me respondam: Ele é peixe de água doce?

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    1. Sim...totalmente cultivado em água doce.e em São Paulo já pode ser produzido.sao Paulo saindo na frente como sempre!!!

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